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O sec XX tem uma dívida com Les Paul

agosto 13, 2009

Para nós, que vivemos imersos na cultura pop, é simplesmente impossivel imaginar como seria o mundo se Lester William Polsfuss não tivesse aparecido em 09 de junho de 1915. Músico e inventor, criou equipamentos e processos sem os quais não existiria a gravação em estúdio tal como a conhecemos. Não foi o primeiro a desenhar a guitarra elétrica (embora tenha bolado um sistema de amplificação em 1939), mas no inicio dos anos 50 desenvolveu um modelo de corpo sólido que hoje é um clássico (foto), abrindo uma empresa para produzí-lo. É ela, a guitarra Gibson Les Paul, que divide com a Fender Stratocaster o lugar de mais icônico fetiche do rock’n’roll – e sem ela o som gordo do rock não seria o mesmo.

Pois hoje ela está chorando, já que morreu seu criador, aos 94 anos, vitima de pneumonia. Noventa e quatro mas ainda tocando nos bares e casas de shows de Nova York, especialmente no Iridium na Times Square (“me dá um bom motivo para levantar da cama”). Isso, apesar de Les Paul ter sofrido tantas vezes com a artrite que, no fim da vida, tocava praticamente com apenas 2 dedos na mão esquerda. Dizia que a artrite o obrigara a reaprender seu instrumento 3 ou 4 vezes, do zero. O que não deve ter sido mais dificil do que bolar e executar a miríade de artimanhas que definiram, tecnicamente, o que viriam a ser os hoje banais processos de um estúdio moderno: o sistema de gravação em multi-pistas (separando os instrumentos, pois antes tudo era gravado em mono), o overdubbing (técnica de gravar a si mesmo em camadas, uma sobre a outra, em uma soma de takes), o equalizador por bandas de frequência (para compensar as perdas na região dos agudos, que ocorriam nos overdubs), ou efeitos como o delay (ou eco, inicialmente obtido através de um mini gravador de fita rodando em loop, o tape delay) e o phaser (a grosso modo, uma espécie de delay de centésimos de segundo, deslocando uma das fases da onda sonora estéreo). Pra se ter uma idéia, sem a gravação em multi-pistas não existiriam os Beatles (pelo menos não com as genialidades de George Martin). Nem os Stones, o tropicalismo, a MPB dos ’70, etc etc etc… Sem o delay não existiria o dub jamaicano (e consequentemente boa parte da música eletrônica, do pop contemporâneo e do remix, todos pagando tributo à manipulação em estúdio inventada pelos jamaicanos). E sem a Gibson Les Paul, bem…

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