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Blues + harmônicos vocais mongóis = Genghis Blues

agosto 5, 2009

Não vi, mas sei que entrou em cartaz o filme “O Guerreiro Genghis Khan” (Mongol, direção do russo Sergei Bodrov). Conversando com o diretor Marcelo Machado, que vira a fita na véspera, entramos no assunto dos impressionantes cantos guturais da Mongólia (uma técnica vocal usada também pelos monges tibetanos). Parece até que aqueles cantores tem um poço sem fundo na garganta, tão grave e distorcido é o registro que alcançam. Há uma variação daquele estilo que aparece na música de Tuva, região russa vizinha à Mongólia: são os harmônicos vocais. Para quem não sabe, harmônicos são as diversas frequências agudas que existem dentro de cada som ou nota musical. Um sino é um exemplo fácil dessas frequências: todo badalo contém uma série de outros sons, vibrando junto com a nota principal – são os harmônicos.

Mas para conseguir extrair esses harmônicos do canto e transformá-los em uma melodia à parte, como uma segunda voz, é necessário encostar a lingua no céu da boca enquanto se canta uma nota pedal, constante. Dificil. A primeira vez que ouvi isso – e tentei aprender em vão – foi com o  brasileiro Stenio Mendes, que estudou o assunto e faz bonito. Quanto mais agudo for o harmônico atingido, mais parecido com um assobio será, como neste exemplo aqui ou neste outro.

E voltando ao papo do Genghis Khan (que virou matéria no Estadão de hoje), procurando na internet achamos um trecho de “Genghis Blues” (ganhador do Sundance Film Festival de 1999, categoria documentário), sobre o americano Paul Pena, cantor e guitarrista de blues, cego, que descobriu o canto gutural e estudou essa técnica por conta própria. Fez tão bem a lição de casa que o músico tuvano Kongar-Ol Ondar convidou-o para um festival em sua terra natal. O bacana é que conseguiu unir o blues à música folclórica daquela região semi-desértica no meio do continente asiático. Aliás, pensando bem, talvez seja o deserto o que os una (e não venha me dizer que só existe blues no úmido sul dos EUA).

Abaixo, trecho de “Genghis Blues”. Paul Pena está à esquerda, e Kongar-Ol Ondar de pé.

Mais sobre Tuva e o canto gutural? No YT tem o documentário abaixo. E outros videos interessantes aquiaqui e aqui.

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