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Feijoada: Paulinho da Viola + Clara Nunes

maio 27, 2009

4ª feira é dia de feijoada!

E se a fartura e excesso da feijoada forem como um pot-pourri culinário, então estamos em casa: Paulinho da Viola e Clara Nunes em um pot-pourri de clássicos no programa Fantástico (seria como o Faustão hoje em dia?). Passe por cima das palmas (não são ao vivo, não) e vá direto à fila de cumprimentos: Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida, O Mar Serenou, Argumento, Tristeza Pé no Chão, Pecado Capital, Menino DeusGuardei Minha Viola e Conto de Areia. Tá na mesa:

E sobre pot-pourris, há um ensaio bem bacana de Nuno Ramos na revista Serrote (publicação do Instituto Moreira Salles), intitulado “Rugas – Sobre Nelson Cavaquinho”, aonde ele inicia: Uma caracteristica curiosa do samba brasileiro é a dificuldade de se saber quem é o autor da canção – os próprios sambas são quase sempre mais conhecidos que seus compositores, como se houvesse uma espécie de obra coletiva pairando sobre eles. Assis Valente? Ou foi Ataulfo Alves? Herivelto Martins? Não seria Wilson Batista? Monsueto? Ou Manacéa? Se isso é resultado do predomínio, até a bossa nova, dos cantores (bastante conhecidos) sobre os compositores (bem menos), da própria precariedade biográfica de tantos desses compositores (que incluía, constantemente, a venda de composições, muitas vezes para os próprios cantores) e ainda da ausência de pesquisas detalhadas sobre o assunto, aponta também para uma questão estéticamente importante, que merece atenção. Alguns de nossos maiores compositores parecem fazer parte, mesmo em seus momentos máximos, de um estilo, o samba, que não requer a individualização imediata de cada obra. Daí que o pot-pourri, essa forma algo detestável de achatamento das diferenças entre cada canção, tenha uma recorrência no samba que não poderia ter em outro gênero. Com temas, rimas, soluções melódicas e harmônicas até certo ponto imunes à crise, em situações de vivência tendendo ao coletivo (rodas, terreiros), embora tenha tantos e extraordinários autores, o samba parce recalcar sem muito trauma o espaço da autoria. Claro que há, desde sempre, exceções, autores cuja singularidade salta aos olhos, quer a gente queira, quer não.

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