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Wilson Simonal redimido, orai por nós

maio 5, 2009

Pré-estréia hoje em SP “Ninguém Sabe o Duro Que Dei”, documentário de Claudio Manoel (Casseta & Planeta), Micael Langer e Calvito Leal sobre a trajetória do carismático cantor Wilson Simonal, um dos maiores idolos populares do Brasil no final dos anos 60, e propagador de um estilo que batizou de “pilantragem” (nada mais era do que o samba-rock de Jorge Ben elevado a um patamar mais pop-radiofônico). Onde, quando, por que? No Cine Bombril (Conjunto Nacional, av. Paulista 2073) às 20hs.

Eu só prestei atenção na carreira do Simonal quando, um ano antes de sua morte, em 2000, começaram a surgir reportagens sobre a perseguição da qual foi vitima a partir de 1971. Naquele ano, suspeitando que seu contador o roubava (fato que até hoje ele nega), Simonal mandou dois agentes do DOPS, conhecidos seus, lhe surrarem. A estória vazou para a imprensa (notadamente O Pasquim) e rapidamente o cantor foi taxado como informante da policia e do regime militar. Dedo de veludo.

Em uma época tão dicotomizada pela divisão esquerda/direita, esse boato (posteriormente desmentido) lhe custou a carreira. Conta Nelson Motta, no filme de Claudio Manoel: “Diziam que ele ajudava a ditadura pois divertia as massas com grande competência”. Diversão, palavrão excludente. Além da ideologia, existia a questão racial: Simonal era mulato e vivia sendo fotografado com namoradas brancas. Mulato, fazendo tanto sucesso quanto Roberto Carlos e ainda comendo as meninas da classe média? Quando estourou o boato do contador, foi muito fácil crucificá-lo.

Curioso como a história se faz por versões: quem antes “caguetava”, hoje foi beatificado. O destino foi injusto com Simonal, que não teve o direito de contar sua versão dos fatos nem em vida nem depois de morto. Estranho no ninho da cultura oficial brasileira, sempre dependendo da boa ou má vontade alheia. Perdido no tempo (portanto inofensivo), agora pode voltar para purgar os pecados cometidos em nome de boas intenções.

O filme? Deve estrear oficialmente dia 22 de maio, então eis o resumo:

Bônus – Simonal cantando “Pata Pata“, sucesso de 1966 da sul-africana Miriam Makeba: Pata Pata

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