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Google e a música gratuita na China

abril 23, 2009

O Google fez acordos com 140 selos e gravadoras – incluindo as majors Warner, EMI, Universal e Sony – para oferecer downloads gratuitos de música na China. A noticia nem é tão nova assim, pois os chineses tem acesso a esse serviço desde 30 de março. Mas o que isso significa, exatamente? E o que poderá representar como modelo para a ação das gravadoras no resto mundo?

Na discussão sobre pirataria na internet, P2P e crise das gravadoras, frequentemente se esquece o porquê de milhões de pessoas baixarem música gratuita: não é (apenas) por ser gratuita, mas principalmente pela conveniência. É por estar a um clique de distância, mais fácil do que sair de casa e ir até a loja da esquina, mais rápido do que encomendar na Amazon e esperar – que sejam – 48 horas para ter o que se quer. O Google percebeu que, se alguém vai prover essa conveniência, que seja ele e não o Pirate Bay (ou seu equivalente chinês). É uma tentativa de tomar da mão dos piratas o mercado que eles ajudaram a criar. E também de chegar ao 1º lugar no ranking de tráfego na internet chinesa, hoje em dia nas mãos do local Baidu.

Assista abaixo a uma reportagem da CNN sobre a ação do Google. Nela, o analista de web Duncan Clark opina sobre o porquê da atitude “se não pode combatê-los, junte-se a eles”: as gravadoras perceberam que não conseguiriam nenhum lucro no mercado chinês, terra da pirataria mundial. Então, que tal experimentar um novo modelo de distribuição? O que teriam a perder? O lucro com os downloads deverá vir da publicidade associada à ação. Idêntico ao que ocorre na TV aberta, aonde o conteúdo é gratuito e bancado pelo anunciantes.

Na última década as empresas de tecnologia digital foram aquelas que souberam aproveitar a internet para lucrar com música. Por um lado a Apple criou um novo paradigma e novos hábitos de consumo com o iPod e sua loja do iTunes; por outro, os provedores de acesso à internet não tem do que reclamar com a pirataria, já que ela estimula os internautas a permanecerem mais tempo on line e a pagarem por conexões mais rápidas. As gravadoras ficaram chupando o dedo, mas se na China tiverem alguma chance de lucrar com a ação do Google, não terá sido por iniciativa própria: não parece haver ninguém dentro da grande indústria da música que entenda o novo mundo digital, e coube ao Google chamar os executivos das majors para distribuir parte de seu catálogo gratuitamente. Mas não por piedade, e sim para tentar dominar a internet no maior mercado do mundo.

2 Comentários leave one →
  1. abril 24, 2009 5:25 pm

    Pois é… fiquei maluco quando vi a Duffy pela primeira vez no SNL e, se a Itunes funcionasse aqui, eu teria comprado o album na hora. Na falta de opção, acabei baixando do Blog dos netos do Salim… Esse modelo de direitos autorais está falido. O artista quer faturar? Vai dar show e ralar… não é justo que uma dupla como a banda Calypso encha o orifício do disco de dinheiro e ainda mantenha duas gerações de vagabundos sendo sustentados por seus esquerdos autorais. Eles deveriam pagar 80% de royalties para um fundo cultural… ou para alguma pesquisa de cura de alguma doença, sei lá…

  2. marcosazambuja permalink
    abril 24, 2009 7:20 pm

    Grande Cebola! Também acho que o modelo de direitos autorais, tal como temos hoje, é insuficiente para dar conta da complexidade de nossa realidade. Creative Commons é uma opção, porém funciona melhor quando o artista distribui seu trabalho diretamente ao seu público e não existem outros “parceiros” da obra no meio (gravadoras, editoras…). Quando entra dinheiro no meio, a coisa se complica.

    Porém também não acho que os direitos autorais simplesmente deixarão de existir, nem acho que isso seria justo. Existem, por exemplo, compositores que não fazem shows (Herminio Bello de Carvalho é quem me vêm à mente). Se esse tipo de criador deixar de ter qualquer retorno pelo que cria, talvez deixemos de ter outros Herminios no futuro. Ou não. Não sou futurólogo, né? Os sambistas sempre ganharam algum extra vendendo parcerias de suas músicas, ou às vezes vendendo a música inteira. Mas essa é uma situação que não garante rendimentos futuros, que é o que o direito autoral se propõe a garantir.

    Acho que muita água ainda vai rolar, e talvez surjam novas formas de direitos autorais. Outro dia encontrei um artigo sobre o assunto, com algumas idéias: http://www.musicthinktank.com/blog/songwriters-are-taking-it-on-the-chin-whats-the-solution.html

    Abs!

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