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Esse comercial da rádio BBC2 é antigo, tem pelo menos 3 anos que foi ao ar, mas e daí? A idéia é ótima: juntar, na mesma edição, Elvis Presley, Marvin Gaye, Jimi Page, Stevie Wonder, Keith Moon, Sheryl Crow, Noel Gallagher e Sugarbabes (quem?).
Achei no portfolio da Grand Central Studios, produtora de áudio londrina.
Os CDs estão morrendo? O que se dirá das fitas cassete, então? Não é o que pensa Brian Dettmer, artista plástico norte-americano. Para ele, os K7s serviram de matéria-prima para uma série de esculturas, aonde esqueletos surgem da matéria plástica derretida e moldada. São os mortos reencarnando em corpos esquecidos (no caso, as fitas).

Judas Priest, Motley Crue… Meio óbvio, mas é o que se lê nos restos mortais do crânio abaixo:

Poor little bird… pelo menos morreu ouvindo The Kinks.

Mais Tico Tico no Fubá, cortesia de um dos blogs de música mais pirados que existem, o novaiorquino WFMU (da rádio homônima). Muitas versões, do cha cha cha de Ruben Calzado ao sax de Charlie Parker, passando pela Korean Mandolin Orchestra, pela Banda Black Rio, pelos Harmonicats (‘orquestra’ de gaitas), pelo ridiculo Shooby Taylor acompanhado pelos mesmos Harmonicats (acompanhado é boa vontade, ele simplesmente ligou o rec e solou em cima dos gaitistas), pelas The Andrews Sisters e pelo violão de Paco de Lucia. Do sublime ao sub, um pouco de Zequinha de Abreu, levantando a pergunta: até onde se pode voar com esse passarinho?
Ruben Calzado
Korean Mandolin Orchestra
Banda Black Rio
The Harmonicats
Shooby Taylor
The Anderws Sisters
Paco de Lucia
Charlie Parker
Esse é o Duo Siqueira Lima, apresentando o clássico de Zequinha de Abreu com uma performance macaco-aranha:
Agosto é o mês em que o magrinho José Gomes Filho faria 90 anos, se estivesse vivo para soprar as velinhas dia 31. Mas apesar de ser, junto com Luiz Gonzaga, o grande divulgador da música nordestina entre as décadas de 1950 e 60, a data de hoje passa em branco para a maioria da imprensa (para não falar das gravadoras, que praticamente ignoram que um dia ele ajudou a vender muito disco no Brasil). Não vou ficar reclamando do óbvio, pois essa falta de atenção a esse que foi um dos mais suingados músicos brasileiros já diz tudo.
Os tropicalistas e continuadores veneraram e regravaram vários de seus sucessos, em uma época em que “sucesso” era sinônimo de música boa. Gilberto Gil reinventou “A Cantiga do Sapo” e “Chiclete com Banana”. Gal Costa fez o mesmo com “Cabeça Feita” e “Sebastiana”. 10 anos atrás, o album “Jackson do Pandeiro Revisto e Sampleado” levava Lenine, Dominguinhos, Fernanda Abreu, Chico Buarque, Zeca Pagodinho, O Rappa, Paralamas e a própria Gal a pagarem a merecida penitência, na comemoração dos 80 anos de Zé Jack. Mas são, basicamente, ações isoladas e que partem dos próprios artistas, que sabem da importância de se regravar e re-cantar o que vale a pena se manter na memória. Ou seja, a peneira não vem das gravadoras. É nóiz quem faz o praylist.
E o negócio com o Jackson era mesmo a interpretação: não era um compositor tão prolífico quanto Luiz Gonzaga, mas era um intérprete fenomenal. Além de um mestre no pandeiro – quando ia gravar em estúdio, mesmo como instrumentista convidado, os outros músicos esperavam ele dar seu toque e confirmar a levada para, aí sim, engrenar na música. A canção abaixo é pra lá de conhecida, mas muita gente não conhece a divisão e o ritmo que Jackson imprime a ela:
Meu primeiro encontro com Arrigo Barnabé foi no SESC Pompéia, em uma barraquinha de LPs usados num sábado à tarde, 1983 ou 84. Tava lá: Clara Crocodilo, aquela capa maravilhosa do Luiz Gê, o olho do jacaré levando à bocarra na contracapa, quando aberta (coisas que o MP3 não tem – nein, nein). Eu já ouvira falar do Arrigo, mas não sabia que som tinha. Na época ouvia pouca coisa da ‘vanguarda paulista’, talvez algo do Rumo e do Itamar Assumpção, mas curtia mesmo era o humor do Lingua de Trapo. Bizarro (ou não): ao mesmo tempo, eu era metaleiro e fã do Black Sabbath – fãzaço. Isso, no ápice da intransigência que é a adolescência.
Mas enfim, Arrigo. Comprei o disco e adorei. Também, pudera: pra quem descobria os riffs de guitarra, eram perfeitos os riffs dos metais dessa ópera-rock dodecafônica. Funky ópera-rock brasileira com compassos quebrados e melodias seriais (do modo serialista de se compor: ao invés de escalas maiores ou menores, uma série de tons – notas – se repetindo sempre na mesma ordem). E, para aumentar meu gosto, as músicas traziam uma narrativa de quadrinhos. Até hoje tenho aquele LP (que foi regravado ao vivo, 20 anos depois, já que o criador não tinha gostado da finalização da criatura – músicos de bolso furado tem que fechar o disco quando toca o sinal do recreio). Banda Sabor de Veneno, com todo mundo novo: Vânia Bastos, Suzana Salles, Tonho Penhasco, Mané Silveira, Otávio Fialho R.I.P. (pai do filho da Cássia Eller), Paulo Barnabé (depois, band leader da pseudopunk Patife Band)…
Uma das músicas de Clara Crocodilo era Diversões Eletrônicas, 1º lugar no I Festival Universitário da Canção da TV Cultura, em 1979. Um antro sujo:
E o caso da viúva que após o enterro do marido vai ao Riviera, boteco das antigas em frente ao cine Belas Artes, na Consolação, em Infortúnio:
Do vinil, com introdução do cello de Mario Manga:
Site sueco que brinca com conhecidas capas de discos (disco? queíss??): Pärlplattor , que parece ser também o nome de uma brincadeira do país que inventou o smörgåsbord e o ABBA. São continhas iguais àquelas de colar, colocadas em uma superficie para criar uma figura. Um passatempo: pixelizar o mundo. Me lembra a obsessão daqueles japoneses ilustradores de bento box. Tem Regina Spektor (Begin To Hope, na imagem abaixo), Stevie Wonder (Songs In The Key Of Life), Peter Gabriel (Us), Nouvelle Vague (Nouvelle Vague), Frank Zappa (Atostrophe), White Stripes (Get Behind Me Satan), Björk (Debut), Radiohead (The Bends) e mais algumas outras dezenas…



40 anos, baby. E o casal daquela emblemática foto continua junto, mantendo o sonho vivo. Vamos então aproveitar essa sessão flashback back back para ver de novo ovo ovo ovo o filme que deu origem à série, sem o qual provavelmente Woodstock não teria sido o mito que foi, moldando o imaginário hippie dessas últimas quatro décadas: é que o documentário de Michael Wadleigh será relançado em uma caixa com 4 DVDs contendo cenas inéditas. É, esse é o Michael responsável por você e eu conhecermos a versão que Jimi Hendrix fez do hino americano, assim como os virtuosisticos 10 Anos Depois de Alvin Lee, a anasalada viagem silvestre de Canned Heat, o campo de morangos de Richie Havens, o sacrificio da alma de Carlos Santana (cuja carreira confirma atualmente sua opção de Fausto), a geração do The Who e a mistura de psicodelia no molho black de Sly Stone & the Family. Sem falar em Joe Cocker – sua carreira deve tudo àquele festival. Os CDs “Woodstock Music – trilha sonora original do filme” (1970) e “Woodstock Two” (1971) estarão à venda a partir de 27 de agosto, em edição remasterizada. A editora Best Seller lança “Woodstock Qurenta Anos Depois”, acumulando depoimentos de várias pessoas envolvidas no evento. E Ang Lee já lançou lá fora “Taking Woodstock“, comédia sobre aqueles psicodélicos dias dias dias. Cara, essa viagem não vai terminar tão cedo…
Está dificil vender CD hoje em dia: comprar on line, ouvir em streaming ou baixar de graça são cada vez mais as opções para se ouvir música. Aí o músico e DJ californiano Moldover teve a idéia de lançar um CD com algo que não pudesse ser reproduzido no computador: um case com circuitos integrados, funcionando como um Theremin portátil. Básico, mas funciona. Brinquedo sonoro para deixar na mão das crianças, na hora de dormir.
Daqui, via @felipevaz
