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Macaco velho

março 26, 2010

O mico amestrado faz exatamente hoje 1 ano e vai ficando mais velho. Agora chegou a hora de dizer adeus. No more blogging. Arrivederci, orangutan. Efemérides servem pra isso.

Foi divertido esse 1 ano de escritas sobre música, mas chega uma hora em que é preciso manter o foco. Coisa que, aliás, me faz muita falta. No meu jeito caótico de tocar o dia-a-dia, o tempo gasto em busca de novidades que realmente valham a pena serem mostradas era um tempo que poderia servir para compor, estudar música, trabalhar, ganhar dinheiro…

E além do mais, pra que serve um blog? Ou melhor, pra que serve este blog? Foi o que passei a me perguntar nos últimos meses. E percebi que escrevia para refazer meus percursos musicais, minhas referências pessoais, ao mesmo tempo em que buscava material novo – opa, utilidade à vista, já que preciso disso no meu trabalho como criador e produtor. Mas sempre foi, no fundo, um blog de predileções pessoais sem nenhuma intenção de “mostrar a nova música do fulano de tal” ou “as tendências do momento”.

Ler, processar, julgar e publicar. E quem lê? Sei de conhecidos e até desconhecidos que escreveram, e agradeço a ‘audiência’. Espero que tenham dado algumas risadas e descoberto sons novos pra decorar a parede das cabeças. Continuarei escrevendo no Update or Die. E no Twitter, que virou um caminho bem mais prático de espalhar novidades e velharias. Claro, pois o macaco já não é tão novinho assim…

Ciao, au revoir e hasta la vista!

Andrew Bird

março 25, 2010

Pra começo de conversa, Andrew Bird possui uma qualidade que eu prezo muito: dominio técnico. Sem virtuosismo. Ele canta, assobia, toca violão, violino (afinado, o que não é exatamente fácil) e controla seus pedais tudo ao mesmo tempo, no melhor estilo multi-homem (no video abaixo). Só que, olha só, a técnica aqui está a serviço da canção, e não de qualquer tipo de exibicionismo leggero.


Scythian Empire

Você pode ver este e outros videos aqui em qualidade bem melhor que no UTube, no From The Basement, excelente site criado por Nigel Godrich (produtor do Radiohead). Lá, ele e sua equipe gravam e sobem videos de diversos músicos e artistas – nem todos independentes, mas vamos dizer que exista uma curadoria musical que pesca gente com alguma coisa a dizer. Não é pouco.

Música é uma peça de museu

março 25, 2010
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Tô pra falar disso faz tempo. Já fui mal interpretado por emitir essa opinião em outro blog, meses atrás – tacharam de coisa de velho ranzinza e saudosista, mas não é. É opinião de músico quando pensa em música, somente música, quase independente dos satélites culturais que a orbitam (comportamento, moda, games, comunicação mobile, redes sociais, televisão…). E tem uma consequência importante que quero expor na segunda metade deste post.

Curto e grosso: a música popular já é uma peça de museu. Os sons do século XX viraram clássicos – e como todo gênero clássico, são mais dificeis de serem alterados. A música pop e popular virou tradição. Uma cultura realmente nova e fresca está sendo feita e divulgada pela internet e pelos games, não mais pela música. Music is the old black. A inovação está em outro lugar. Por isso, cada vez menos gente tem ouvido e comprado música – não é só a questão da pirataria e dos torrents e P2Ps, não: a música hoje incorpora menos significados e aspirações do que já o fez .

O que não quer dizer que não existam ótimos músicos criando e tocando bem, e gosto de muitos deles. Apenas não estão sendo inovadores, em sua maioria.

Devagar com o andor. Um exemplo: o rock usa a mesma instrumentação há 60 anos. Sessenta. Guitarra, baixo, bateria, órgão/piano e o pessoal no vocal. Vieram vários teclados na virada dos 60 pros 70, a linguagem da música pop foi se modernizando, mas essa estrada se estagnou já faz tempo. Me entusiasmei com o hip hop e a música eletrônica, pelo uso e abuso que fizeram da herança musical do planeta, e pelo novo instrumento que trouxeram – o computador. Mas isso não é mais novidade, também. E mesmo assim, usar e abusar dos samples é legal pelo método de trabalho – edição, colagem – mas a linguagem musical continua sendo a mesma: os acordes, as escalas, melodias e ritmos são basicamente os mesmos. Samplear está situado em algum lugar entre a homenagem e o roubo, e é uma criatividade que se realiza no jeito de fazer, mas não no sumo do que se faz. É enrolar o pão com estilo, mas sem trocar a farinha.

Me diga como é que dá pra se entusiasmar – de verdade – com estilos musicais que não mexem em suas fórmulas há 30, 40, 50 anos?

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St. Vincent: um indie/pop menos óbvio

março 24, 2010

Ando escutando Actor, último disco de Annie Clark, cantora e guitarrista do meio oeste americano. Nunca havia ouvido falar dela até menos de 1 mês atrás. Nome artistico? St. Vincent. Cantou acompanhando a banda Polyphonic Spree e o bardo Sufjan Stevens. Sua música me soa menos óbvia, mais autoral. Nada contra a banalidade e o lugar comum, muito pelo contrário – beira do mar…

Gostei de suas melodias. Gostei muito. Acho que fazem falta ao indie e pop atuais. Junto com personalidade, outro item recessivo na balança. Nada de radicalismos, apenas um pouco de propriedade no que se faz. “Black Rainbow”, por exemplo, tem uma pulsação minimalista e um arranjo cameristico. Quando termina, exasperada, você pede um copo de água:


Black Rainbow

“Laughing With A Mouth Of Blood” tem uma programação de bateria eletrônica horrorosa, mas a melodia é tão solar que aquele timbre de TR-707 acaba se camuflando num contexto “revival anos 80″. Tá perdoada:


Laughing With A Mouth Of Blood

Feijoada: sambas tropicalistas

março 24, 2010

4ª feira é dia de feijoada!

Hoje o cardápio é vintage anos 70: vamos falar de Tropicalismo. Aliás, não vamos falar nada. Que essa estória de ficar falando, falando e falando – no caso, escrevendo – é coisa ou de recalcado ou de acelerado. E como não sou nem uma coisa nem outra, muito pelo contrário por supuesto, seguindo em frentemente queria mesmo é postar três preciosidades do periodo em que as comportas do samba e da bossa nova foram arrebentadas e novas águas lamberam o chão do salão. Guitarra elétrica e poesia urbana, feia, angular. Tropicalismo é isso – entre outras cento e oitenta coisas. Não é à toa que a feia e angulosa São Paulo acolheu e ajudou a gestar essa liberdade de mexer nas tradições, eletrificando a instrumentação, modernizando as temáticas e construindo canções que brincavam de esconde-esconde com os clichês melódicos ou harmônicos do samba e da música brasileira lato senso. Pronto, falei demais. Recalcado. Então, tá na mesa:

Gal Costa em “Da Maior Importância” (Caetano Veloso), com assinatura da sanfona de Dominguinhos e guitarra wah-wah, uma composição angulosa com uma melodia cromática, quase pedindo para ser falada ao invés de cantada:

Jards Macalé cantando sua parceria com Torquato Neto, Dente No Dente, com o Paulo José recitando na sequência (aliás, tem Jards morcegando por aí):

Novos Baianos – segunda geração tropicalista – e O Samba da Minha Terra (Dorival Caymmi):

Música na tela: Babel

março 23, 2010

Quando assisti Babel, do mexicano Alejandro González Iñárritu, fiquei com duas impressões: primeiro, de que a complexa tecelagem do diretor fora erguida sobre uma pretensão excessiva, em um roteiro que não me convencia das causas e efeitos se sucedendo ao longo da trama. A segunda impressão foi oposta, e puramente emocional – a música. Llora, cabrón. Até hoje ela me faz lembrar de várias sequências. Não é à toa que Babel ganhou o Oscar de melhor trilha sonora em 2007 (composta e também compilada pelo argentino Gustavo Santaolalla). Iñárritu e Santa, seus filhos da puta. Quando escuto a música de encerramento, “Bibo No Aozora” (de Ryiuchi Sakamoto, com Jacques Morelenbaum e Everton Nelson, cello e violino) tenho vontade de chorar – pouco, vai, pois sou meio durão. E sei que isso tem a ver não só com a tristeza desse tema minimalista mas também com a tristeza que fecha a estória, um conto de dor e (alguma) redenção. Coisa de mexicano, mesmo.

Só pra esclarecer: “trilha sonora” não é apenas música composta sob encomenda – música original -, mas também as faixas de outros artistas, já gravadas e escolhidas para entrarem na fita. Woody Allen, Tarantino e os irmãos Coen nunca usam música original (uma exceção em Woody é O Sonho de Cassandra, 2007, com música composta por Philip Glass). Santaolalla escolheu outras músicas de Sakamoto, como “Only Love Can Conquer Hate” para a longa cena em que a adolescente japonesa se droga com os amigos e vaga por Tóquio. E também pinçou uma cumbia do mexicano Celso Piña para o momento em que Gael García Bernal atravessa a fronteira dos EUA com o México:


Cumbia Sobre El Rio – Celso Piña

Mas vamos ao que interessa. Chorar, chorar e chorar:

more about “Música na tela: Babel“, posted with vodpod
E Ryuichi Sakamoto em piano solo:

Música de domingo a domingo

março 21, 2010

No final das contas, a semana começa domingo ou segunda?

Domingo


Domingou (Gilberto Gil)

2ª Feira

Monday Monday (The Mamas & The Papas):

3ª Feira


Tuesday Heartbreak (Stevie Wonder)

4ª Feira


Wednesday (Tori Amos)

5ª Feira

Jeudi 17 Mai (Arianne Moffatt):

6ª Feira


Daddy, Don’t Ever Die On A Friday (Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra)

Sábado


Every Saturday Night (Ray Charles com a Count Basie Orchestra)

Domingo


Sunday Morning (Velvet Underground)

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