Curumin dando sua opinião acústico-dubesca sobre Cangote, da Céu:
E a original de Maria do Céu:
Cangote (in “Vagarosa”, Six Degrees Records 2009)
Dica do @dafnesampaio
A caixa dos loops. Um instrumento de riso e tortura medievais. 164 músicas com trechos eternamente loopados. Você clica, ela toca; você toma banho, vai à padaria, paga as contas, trabalha, e ela lá. Tocando o mesmo trecho de música. Interface simples projetada pelo designer holandês Tom van Beveren.
Quer saber? Vai lá e procure, digamos, por “Gerard Gustin – Monsieur Canibal”, “Jamie Cullum – Get Your Way”, “Hot Chip – Over & Over” (titulo auto-explicativo) ou “Herb Alpert – Spanish Fly”. Garanto que você nunca mais vai achar ‘Sex Machine’ tão sexy.
Tarantino foi um dos que abençoou: hoje, gostar da cafonice dos anos 70 já não pega mal. Hoje não, né, pois Pulp Fiction é de 1994 (mas o remake de Starsky & Hutch só apareceu 10 anos depois, e o de Shaft é de 2000). Não importa, o ponto aqui é que os anos 70 foram sublimes para a cultura pop. Hollywood? Foi salva por diretores malvados jogando pessoas aos tubarões ou pondo psicopatas para dirigir taxis. Sangue e trombadas de carro. Nunca amassaram tanta lataria quanto naquela época.
E a trilha para acompanhar? Funky big bands, bro. Jazz modernizado e adaptado à linguagem das telas. Metais tensos e a levada black conduzindo tudo. Como esta pérola com música de David Shire para O Sequestro do Metrô 123 (1974):
E Starsky & Hutch? Score do Lalo Schifrin. Você conhece: Hawaii 5.0 e o tema em 5/4 de Missão Impossivel são dele, argentino residente nos States desde 1958. Bruce Lee foi muito grato a ele: é seu o tema de Operação Dragão (Enter The Dragon, 1973):
Enter The Dragon
Kojak, Baretta, Columbo, Cannon. Filmes policiais eram a praia predileta desses scores. É, mas Tarantino não é responsável por nada disso não (óbvio…). Nem o Lalo. A culpa é da blaxploitation, movimento de criação cinematográfica feito por diretores, atores e músicos negros. Shaft (1971) tem música de Isaac Hayes e Super Fly (1972), super groove de Curtis Mayfield:
Shaft (Isaac Hayes)
Super Fly – Freddie’s Dead (Curtis Mayfield)
Pra terminar, James Brown – Black Caesar, 1973:
O Sequestro do Metrô 123 foi dica do @ricardolombardi, dank!
Documentário e entrevistas com Miles Davis para a TV francesa, década de 80. “Não quero ser rotulado de nada além de músico. E de Miles.” (I don’t wanna be labeled anything but a musician. And Miles).
Continuação ampliando o post:
Apesar do tamanho, pela cara de bebê esse mano australiano não deve passar dos 20: vin-te mostrar como se faz um beat box da hora.
“Exit Music For A Film”, música de encerramento de um filme. Poderiam ser centenas de filmes, e eu por exemplo visualizo um drama francês, com o Daniel Auteuil se separando da mulher e todo mundo se dando mal… (tem um filme assim, né, de uns 1o anos atrás – só não lembro o nome). Pois essa balada do Radiohead foi de fato usada nos créditos finais de Romeo + Juliet (com Leonardo DiCaprio). Não entrou no album com a trilha sonora da fita, mas foi para o 3º disco da banda, “OK Computer” (1997). Veja só, pureza é mesmo um mito: as cinco primeiras notas da melodia são um decalque de Insensatez, de Tom Jobim. E também do Prelúdio nº4 para piano, de Frédéric Chopin. O jazzista Brad Mehldau deu sua versão, em “The Art of the Trio Vol. 3″ (1998). Aqui:
E no original dos próprios Cabeça de Rádio:
Sou músico. Você acha que um cardiologista nunca estudou ortopedia? Pois é, também busco abrir o espectro musical de minhas referências. Mesmo porque, trabalhando com produção de áudio, preciso ter os ouvidos sempre abertos para novidades e surpresas. Por necessidades de trabalho, tive que aprender a ouvir – e entender, para saber reproduzir – estilos musicais distantes de minha origem.
Quando ouço meu iPod, deixo o play list sempre em aleatório (shuffle) ou nas últimas músicas adicionadas, tocando randomicamente. Como uma rádio. Aprendi que esse é um bom jeito de saber se realmente gosto daquela música ou artista. Começou a tocar, não mudei, então tá bom. Assim:
01
02
03
04
King Crimson + Edvard Munch. Brincadeira com capas de discos e quadros famosos. Flickr fun: CG (See Gee) é alguém que gosta de brincar com imagens icônicas, fazendo sleeveface como nas suas últimas postagens ou misturando Black Sabbath com Marcel Duchamp. Entretenimento 2.0, highbrow/ lowbrow, que seja. Confira aqui suas outras brincadeiras.

Não é por ter passado o verão de 1964 em Búzios que Brigitte Bardot aprendeu alguma coisa sobre o suingue brasileiro: ela simplesmente não aprendeu. O lance dela era o Gainsbourg, e depois as focas. A questão da malemolência é fácil de se verificar, basta dar uma olhada no video mais abaixo, sua versão pop/rock para “Nem Vem Que Não Tem” (que virou “Tu Veux Ou Tu Veux Pas”).