Calma, que ninguém vai caguetar ninguém. Mesmo porque o assunto é público. Aqui o negócio é quem sampleou quem, aonde, quando como e porquê. Coronel Mostarda na sala de jantar. Madonna e James Brown na música dos outros – quais canções/grooves e trechos, comparados a partir de videos do UTube, lado a lado. Tudo no site colaborativo Who Sampled, que enfileira no mimeógrafo musical a curiosidade de quem curte hip hop, mashups e outras mumunhas mais. Claro, o database é composto de artistas estrangeiros em sua maioria, mas fiquei curioso e procurei pelo Jorge Ben. E vi que aqui o conceito de sampling é bem elástico – segundo o site, Rod Stewart sampleou Taj Mahal em seu hit disco Do Ya Think I’m Sexy (na verdade ele plagiou o refrão, o que é totalmente diferente). Mas tá valendo. Vai lá então.
Em entrevista ao jornalista Michel Ciment, Stanley Kubrick afirmou: “Até onde sei, as cenas mais memoráveis dos melhores filmes são aquelas montadas principalmente sobre imagens e música (As far as I’m concerned, the most memorable scenes in the best films are those which are built predominantly of images and music).”
Thanks, Stan. Você deu ao mundo várias cenas memoráveis por sua musicalidade, como o final irônico e bombástico de Dr. Fantástico, o monolito com os macacos e o balé espacial de 2001 e a Presença de Jack Nicholson nos corredores de um hotel vazio em O Iluminado. E em Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971) você usou a abertura da ópera La Gazza Ladra – que Gioachino Rossini escrevera em 1817 – para compor a cena na qual Alex, lider de uma gang ultraviolenta, controla uma tentativa de rebelião de seus camaradas. A ação em slow motion confere dramaticidade, mas a leveza e agilidade da música criam um contraponto irônico, e a cena deixa de ser ‘mais uma luta’ como a de centenas de filmes para se tornar memorável. Como você queria, Stan.
Aretha Franklin em ‘cover’ da capa do último dos Flaming Lips, Embryonic.
Mais uma lista de aleatoriedades pra quem quiser brincar de cabra cega. Dê o play no escuro, e depois do ‘leia mais’ (ampliando o post) descubra quem fez o quê: “que legal essa música que acabei de ouvir”, ou “que bosta de som esse cara tem no iPod”. Ou outras quatrocentos e setenta e duas impressões recebidas nos primeiros segundos de escuta de uma música às escuras. Não é rádio nem streaming, mas é divertido.
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Ele é o aniversariante do dia. Sessentinha. Com voz de 100: sem comparação. Pra quem não conhece sua colaboração com o cineasta Jim Jarmusch, vão aí dois exemplos dos quais sou fã de carteirinha: o irônico curta metragem Coffee and Cigarettes (1986, junto com Iggy Pop), que 7 anos depois foi empacotado no longa de mesmo nome, e mais a faixa “Jockey Full of Bourbon” (do album Rain Dogs), usada nos créditos de abertura de Daunbailó (Down By Law) com as imagens do French Quarter e dos casarões de New Orleans ao fundo. Cheers!
Jockey Full of Bourbon
Hoje, Dave Brubeck completa 89 anos. E em 2009 seu mais famoso album fez 50 anos: Time Out, gravado entre junho e agosto de 1959, e que se tornou um dos maiores sucessos de vendas da história do jazz (isso, quando o rock já era mais que ‘n’roll). A ponto de merecer agora um pacote de relançamento com dois CDs e um DVD, pela Sony Legacy (não fazem mais do que a obrigação, embora o segundo CD seja de músicas gravadas nas edições do Newport Jazz Festival entre 1961 e 1964, e que não tem necessariamente ligação com Time Out – ou seja, raspa da cumbuca). Usted no conoces? Então tome isto:
Take Five
E mais isto:
Blue Rondo A La Turk
“Take Five” não é de autoria de Dave, e sim de seu parceiro e saxofonista Paul Desmond. Foi escrita no incomum compasso de 5/4 (daí seu titulo). Assim como “Blue Rondo A La Turk”, composta no igualmente rarefeito 9/8. Nos dois casos, o desenho ritmico do piano insite em evidenciar esses compassos pra você, em loop: os cinco tempos de “Take Five” e os nove de “Blue Rondo”. E, se Dave Brubeck é um dos fenômenos mais pop que o jazz já produziu (fora as big bands de swing dos anos 30 – Benny Goodman, que tal?), então vamos atualizar o velhinho no mundo da web – mesmo que você já tenha visto o mashup de sua “Take Five” com a igualmente 5/4 “15 Step” do Radiohead, de seu album quer-pagar-quanto In Rainbows:
Dica pra quem for pegar um friozão em NY: até 31 de janeiro fica em cartaz no Brooklyn Museum a exposição Who Shot Rock’n'Roll: A Photographic History, 1955 to the Present. São 200 fotos cobrindo a evolução do olhar sobre o rock. Que sabemos ser tão importante quanto a própria música em si: foram a atitude e o visual dos idolos roqueiros que ajudaram a criar boa parte da cultura mass media da 2ª metade do século XX pra cá, época em que a TV foi ganhando força e substituindo o rádio como veiculo preferido de todos.
Olha só: não poderei ir, mas você vai e depois me conta, belê?
Quem tem mais fãs online, U2 ou Beatles? Radiohead toca mais no MySpace ou no Last.FM? As músicas de Johann Sebastian Bach foram comentadas quantas vezes no último mês? Pra quem tem curiosidade ou trabalha dentro da indústria da música, o Next Big Sound é um site bacana e que oferece vários filtros: a partir de dados colhidos no MySpace, Last.FM e iLike, mapeia as preferências da música online – eu disse online, esqueça as midias tradicionais. Também não dá pra se aprofundar muito nos números de artistas nacionais, mas encontrei alguns por lá, vamos dizer os “mais clássicos” (no conhecimento dos gringos). O forte de sua triagem são mesmo os artistas pop de lingua inglesa, mas é divertido sair atirando em direções menos óbvias (músicos africanos ou de jazz, rock independente, música latina…). Só o nome é que é meio equivocado, deveria ser NOW Big Sound, certo?


4ª feira é dia de feijoada! (de volta das longas férias)